A escassez!

A psicologia evolutiva prevê que a atratividade de qualquer bem ou objeto é inversamente proporcional à sua disponibilidade. E porquê? Porque, por um lado, normalmente queremos mais aquilo que menos podemos ter e, por outro, a escassez está associada à perda e esta é vivida como significando uma ameaça à nossa sobrevivência.

Isto significa também que basta a simples perceção ou a crença numa possível escassez surgir, mesmo que não seja real, para ativar nos seres humanos o sentimento de perda e fazê-los agir em conformidade, tornando real nas consequências a própria profecia.

Esta proposição sociológica das profecias que se auto concretizam é bastante antiga e prevê o seguinte: se e quando as pessoas definem as situações como reais, estas tornam-se reais nas suas consequências!

No fundo, continuamos a ser e a agir como primatas. Certo que somos seres culturais mas não deixámos de ser também biológicos e a biologia constitui as fundações do nosso comportamento, razão pela qual os fenómenos humanos, embora sejam sociais nos seus fins e mentais nos seus meios, são sempre biológicos nas suas raízes (Piaget).

Continuamos a ser máquinas biológicas com características muito particulares. Somos máquina que se emocionam, sentem e... também pensam.

Sempre que sentimos ou percecionamos uma possível escassez, agimos como se ela existisse mesmo. Nas suas consequências a escassez tende a tornar-se real.

Por outras palavras, agindo nesta conformidade, somos nós próprios quem produz a escassez porque passamos a funcionar numa lógica de estrita sobrevivência e de custo-benefício a ela associada.

Este comportamento põe novamente em evidência mais um desfasamento entre a nossa psicologia evolutiva de um cérebro esculpido e adaptado à Savana e o novo ambiente em que vivemos.

Afinal, o papel higiénico não vai acabar, a não ser que nós o façamos acabar!

Pense nisso!

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