Nós, humanos...


Nós, humanos, fomos projetados pela Evolução para viver num mundo que já não existe.

É por isso difícil viver num ambiente de grandes organizações, centralização, liderança impessoal, sistemas financeiros e realidade virtual.

O nosso cérebro foi moldado num ambiente de escassez onde a cooperação era crucial para a sobrevivência em pequenos grupos onde podíamos conhecer todos e onde várias pessoas assumiam a liderança consoante o problema específico a resolver. Este molde forjou geneticamente o nosso cérebro e continua a orientá-lo mas agora de forma desfasada da nova savana em que vivemos.

Qualquer coisa, contudo, num dado momento aconteceu que nos permitiu começar a compreender as forças da natureza e, num certo sentido, a dominá-las e a saber utilizá-las a nosso favor iniciando uma caminhada de progresso inexorável. Porém, a marcha do progresso humano que parece imparável, é frágil e depende do planeta de quem tanto precisamos mas que não precisa de nós.

Do mesmo modo que a democracia, com todos os seus defeitos, não deve ser tomada por garantida porque há diversas ameaças a espreitar. Afinal, e se calhar, tanto o progresso como sobretudo a democracia aconteceram apesar da evolução e não tanto por causa dela.

Lembrando Pepetela (in O Planalto e a Estepe), «A onça deixada para trás no nosso trajeto de humanização nunca se dilui completamente dentro de nós, por muitos livros lidos, viagens feitas ou debates intelectuais participados. Há sempre uma unha ou dente de onça que se manifesta quando a ocasião é propícia(…). Somos de uma humanidade animal.»

Afinal, se queremos mudar alguma coisa em nós, humanos, temos de começar por mostrar a nós próprios como somos.

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Krisis

Krisis significa originalmente decisão. É um termo grego importado da medicina significando o momento decisivo ou de viragem que possibilitava o diagnóstico. Nos tempos atuais, curiosamente, a noção d

Teorias da conspiração

O que motiva as pessoas a acreditar em  "teorias da conspiração"? 1) Gostamos de boas histórias; 2) Não gostamos de explicações simples para problemas complexos; 3) Necessitamos de compreender o mundo