O problema da gestão das diferenças!

Por vezes ficamos tão focados nos assuntos ligados às diferenças culturais que na sua amplificação acabamos por esquecer que, não obstante, existem também outras coisas que nos tornam iguais ou, pelo menos, muito semelhantes. É verdade que ninguém vive numa única cultura mas sim em culturas diferentes. Onde houver diferenças seguramente que existirão semelhanças também. A questão é saber o que importa mais destacar em cada situação! Por vezes, a melhor forma de ultrapassar as diferenças é procurando terreno e pontos comuns, procurando as semelhanças que nos tornam compatíveis ou acerca das quais estamos de acordo. Parece difícil, eu sei, mas basta lembrar que em todas as sociedades e culturas os seres humanos quando crianças receiam o desconhecido e os estranhos e registam basicamente as mesmas expressões faciais para medo, desgosto, felicidade, desprezo, raiva, tristeza, orgulho e vergonha. Todos nós gostamos de histórias, mitos, provérbios e de uma boa teoria da conspiração. Todos desenvolvemos aversão à perda e estamos sempre alerta para as informações e notícias que circulem de modo a estarmos prevenidos face ao que possa ser novo e perigoso. Do mesmo modo e noutra escala, em todas as sociedades humanas os indivíduos classificam-se de acordo com critérios de estatuto e prestígio. Em todas elas dividem o mundo entre os que pertencem ao seu grupo e os que estão fora dele, confiam e gostam mais de todos aqueles que sejam membros do seu grupo do que daqueles que sejam considerados estranhos ou desconhecidos. Por fim, concluímos que não havendo uma cultura humana única não deixa de haver um sistema operativo comum. Esse sistema faz com que em todas as culturas os indivíduos considerem que a vida é melhor do que a morte, a felicidade é melhor do que a tristeza, a saúde é melhor do que a doença, a abundância é melhor do que a escassez, a liberdade é melhor do que a opressão e o conhecimento é melhor do que a ignorância e a superstição. É por isso que vale a pena procurar explicações naturais para os fenómenos sociais e culturais onde se insere o comportamento humano em qualquer que seja o seu enquadramento. E quando as diferenças atrapalharem, olhemos para as semelhanças. A tão propalada gestão da diversidade esquece muitas vezes que a diversidade, só por si, é a condição de partida porque faz parte do primeiro passo da evolução de qualquer sistema vivo: sem diversidade não há seleção nem retenção. No domínio da gestão, é preciso que além da diversidade esta permita a inclusão e gere identidade. Para isso, as semelhanças que existam ou que se criam transformam-se em pontos comuns que atraem e assim incluem . Semelhança a mais tende a levar ao erro e diversidade a mais tende a levar à indiferença. Acredito que no mundo das empresas, dos negócios e da gestão, quem conseguir um equilíbrio entre a diversidade e a semelhança terá mais possibilidades de se adaptar e suceder. Claro que posso estar errado!

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