Quando a crise económica bate à porta a venda de batons aumenta...

Parece que quando se conseguem ver múltiplas gruas de construção civil isso significa que a economia está a andar relativamente bem, verificando-se o contrário nos períodos de recessão tal como se verifica uma redução significativa do consumo. Mas, ao que parece não de todo o consumo. Alguns estudos da economia comportamental e da psicologia evolutiva sugerem que durante as crises económicas os produtos de beleza continuam não só a vender-se (muito) bem como parece que aumenta mesmo a sua procura. Tal como noutras situações, aquilo que aparentemente pode parecer «irracional» (ou seja, gastar dinheiro em produtos aparentemente supérfluos num momento de crise) parece ser mais facilmente entendível se procurarmos a sua racionalidade escondida para lá do senso comum e da explicação imediata. Estudos recentes sugeriram e defendem que há uma racionalidade latente capaz de explicar esse comportamento do aumento da procura de batons por parte das mulheres (sobretudo mais jovens e solteiras). Parece existir mesmo uma correlação negativa e significativa entre o consumo de produtos de beleza (e em especial o baton) e o crescimento económico, ou seja, quando este desce, esse consumo sobe. É normal que durante os períodos de recessão económica as pessoas tendam a consumir menos quantidade de produtos em geral e a procurar produtos mais baratos também. Porém, alguma investigação parece sugerir que as mulheres em condições de crise financeira preferem produtos de beleza até mais caros e que tenham uma eficácia comprovada, em relação a outros produtos que não tenham uma relação tão direta e eficaz com o embelezamento e a atração física. Por outras palavras, as mulheres parece que deixam de comprar outros produtos e optam por comprar produtos de maquilhagem, mesmo que esta seja considerada cara. Na verdade, parece mesmo que quanto mais cara, mais desejada. E porque razão? Quando um comportamento é recorrente e tende a repetir-se formando um padrão, então deve haver um racional evolutivo para o mesmo, ou seja, deve ter uma função para a sobrevivência e a reprodução. O chamado «efeito baton» talvez se compreenda melhor quando inserido num quadro mais vasto do fenómeno da seleção sexual através das estratégias de atração e da escolha de parceiros que é, afinal, parte da estratégia evolutiva da espécie. Conhecemos relativamente bem as diferenças dos géneros no que se refere aos critérios de escolha de parceiros para acasalamento para relações de longo prazo que visam a reprodução. Ambos preferem características diferentes. Resumindo, enquanto os homens tendem a procurar sinais de beleza e de juventude no momento da seleção (inconscientemente associados a maior fertilidade) as mulheres tendem a preferir homens com sinais de status e poder (associados a mais recursos e capacidades). Essa é a razão fundamental pela qual os homens competem tanto entre si para serem reconhecidos como mais “poderosos” uma vez que isso atrai a atenção das mulheres. Já as mulheres, em geral, competem entre si para serem reconhecidas como mais “belas” (porque isso capta a atenção dos homens). Evolutivamente falando, podemos então colocar a hipótese segundo a qual o aumento significativo do consumo de produtos de beleza em geral, e em particular dos batons, pode estar associado a períodos de crise económica porque estes servem de forma rápida (e relativamente barata) para que as mulheres fiquem mais atraentes e consigam destacar-se, atraindo os homens com maior capacidade de prover recursos (sobretudo quando estes são mais escassos), o que as pode ajudar tanto na sobrevivência como na reprodução. Embora não seja totalmente consensual, deve-se notar, várias investigações sugerem (e algumas reivindicam mesmo) confirmar a hipótese do “Efeito Baton” e que este é significativamente e sobretudo mais evidente entre mulheres solteiras que procuram parceiros para relacionamento de longa duração, pois é nessa altura e para esse tipo de ligação que as mulheres são mais exigentes quanto ao parceiro que escolhem. Para a mulher, melhorar a imagem que projeta pode ser uma forma de captar a atenção do homem (que seja preferencialmente abastado, influente, poderoso e saudável), conseguindo assim recursos que serão importantes principalmente nos períodos de recessão. Nos momentos de crise, o baton, mais do que qualquer outro produto de maquilhagem, parece permitir esse efeito de forma rápida e relativamente menos dispendiosa. Simples e eficaz! Isto é polémico evidentemente, mas dá que pensar! Talvez as mulheres, melhor que os homens, saibam responder. Se disso tiverem consciência, claro!

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